terça-feira, 4 de maio de 2010

Por trás dos rabiscos!










Por trás dos rabiscos

Os bastidores de um ato de vandalismo tão comum no Brasil e no mundo.
A pichação.


Muros sujos, monumentos com estética feia, prédios e casas danificadas visualmente e economicamente, e poluição visual são alguns dos atos com os quais toda a população tem que conviver pela simples revolta de quem pratica. Visualmente agressiva, a pichação percorre o Brasil de forma geral, geralmente em prédios altos, monumentos públicos ou privados, pontes e viadutos. O povo acha que eles querem fama, mas no fundo não é só isso. Eles querem se expressar. Infelizmente, fazem isso de forma errada.
Para entendermos melhor, vamos definir alguns conceitos: pichação é o ato de desenhar, rabiscar ou apenas sujar um patrimônio (público ou privado) com uma lata de spray ou rolo de tinta. Pichador é quem pratica tal ato. Normalmente, o que é escrito são frases de protesto, simplesmente o nome, ou, em alguns casos, até declarações de amor. Para algumas gangues torna-se questão de “honra”, a melhor gangue é a que marca mais territórios. Essa relação de vandalismo e sociedade vem de muito tempo.
Na Idade Média, padres pichavam os muros de conventos rivais no intuito de expor sua ideologia, criticar doutrinas contrárias às suas ou mesmo difamar governantes. Construído no início da década de 1960, o Muro de Berlim manteve seu lado oriental socialista limpo e com pintura intacta, e o lado ocidental, com a democracia capitalista dos EUA, foi tomado por pichações e grafites de protesto contra o muro. No final de 1969 e início da década de 1970, as ruas de Los Angeles foram tomadas por pichações que demarcavam a disputa territorial pelo tráfico de drogas entre duas violentas gangues rivais: Bloods e Crips.
A pichação veio para o Brasil em 1980, e se centralizou por um bom tempo em São Paulo, mas não demorou muito e ela se estendeu por todo o país. Atualmente, a pichação Brasileira é reconhecida mundialmente como um fenômeno, isso ocorre porque as letras possuem um desenho singular e características particulares. Esse ato é bem diferente de grafitar. Grafite é bem mais elaborado, tem uma melhor visibilidade, e é mais bem aceito pela sociedade.
Pichação é crime ambiental, previsto pela Lei Federal 9.605/98 art. 65 enquadradas quem pichar, grafitar ou por qualquer meio conspurcar edificação ou monumento urbano, com detenção de três meses a um ano. Segundo o soldado da PM Jaderson Hilário da Silva, 22 anos, no treinamento que é dado para os novos policiais, antes de eles “pegarem no batente”, são feitas orientações, e estudo sobre essa lei. Eles são instruídos há prender todo e qualquer tipo de pessoa, que esteja em ato de crime ambiental o que inclui pichação. O ex-guarda municipal, agora Policial Civil, Geovane Lanna, 27 anos, declara que, quando trabalhou na Escola Municipal Marconi, passou por muitas situações nas quais precisou aplicar uma punição interna ou até mesmo chamar a policia, para adolescentes que estavam pichando dentro da escola. Em sua opinião eles fazem isso para chamar atenção, querem ser populares.
Alguns dos nomes que são usados são: RAT, MART, SETO, JEFIM, TOM, KOKA, SRAUK, NANK, SAKS E JERRY. Em um bate papo com três dos causadores de tanta polêmica e discussão que temos pelo Brasil inteiro, os pichadores colocam o outro lado da moeda, revelam os verdadeiros motivos pelos quais fazem tal coisa. M.S (apelido Puera, 17 anos), Maxwell (20) e Ricardo (23) deixam claro tudo o que rola nos bastidores de suas saídas noturnas.
Quem está com a razão: os pichadores por alegarem não ter um espaço para se expressarem, ou não conseguirem se expressar da maneira como gostariam e de alguma forma, tentarem chamar a atenção da população, que não vê-los ou finge não ver. Ou o povo que está cansado de gastar dinheiro com tintas e com reformas de monumentos e prédios? Todos sabem que é errado essa ação dos pichadores, mas o que o povo precisa fazer para mudar essa situação? É uma vergonha termos uma cidade tão suja visualmente, não só por pichação, mas por papéis, pessoas feridas, mendigos. A população precisa encontrar uma maneira de mudar isso!

¹ detona = uma pichação
² presa = marca
³ ponto 15 = Rolinho de pintar
¹² vermes = policiais

Um comentário:

Januária Vargas disse...

Maravilhosa a matéria Kézia!
Gostei muito da "volta ao tempo" que vc fez para explicar toda a trajetória de um ato que para uns é vandalismo e para outros forma de expressão.
Parabéns!